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Maria Alida Baar Nigri

Photo courtesy of Brazilian White Center - UNASP.

Nigri, Maria Alida Baar (1904–1995)

By The Brazilian White Center – UNASP

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The Brazilian White Center – UNASP is a team of teachers and students at the Brazilian Ellen G. White Research Center – UNASP at the Brazilian Adventist University, Campus Engenheiro, Coelho, SP. The team was supervised by Drs. Adolfo Semo Suárez, Renato Stencel, and Carlos Flávio Teixeira. Bruno Sales Gomes Ferreira provided technical support. The following names are of team members: Adriane Ferrari Silva, Álan Gracioto Alexandre, Allen Jair Urcia Santa Cruz, Camila Chede Amaral Lucena, Camilla Rodrigues Seixas, Daniel Fernandes Teodoro, Danillo Alfredo Rios Junior, Danilo Fauster de Souza, Débora Arana Mayer, Elvis Eli Martins Filho, Felipe Cardoso do Nascimento, Fernanda Nascimento Oliveira, Gabriel Pilon Galvani, Giovana de Castro Vaz, Guilherme Cardoso Ricardo Martins, Gustavo Costa Vieira Novaes, Ingrid Sthéfane Santos Andrade, Isabela Pimenta Gravina, Ivo Ribeiro de Carvalho, Jhoseyr Davison Voos dos Santos, João Lucas Moraes Pereira, Kalline Meira Rocha Santos, Larissa Menegazzo Nunes, Letícia Miola Figueiredo, Luan Alves Cota Mól, Lucas Almeida dos Santos, Lucas Arteaga Aquino, Lucas Dias de Melo, Matheus Brabo Peres, Mayla Magaieski Graepp, Milena Guimarães Silva, Natália Padilha Corrêa, Rafaela Lima Gouvêa, Rogel Maio Nogueira Tavares Filho, Ryan Matheus do Ouro Medeiros, Samara Souza Santos, Sergio Henrique Micael Santos, Suelen Alves de Almeida, Talita Paim Veloso de Castro, Thais Cristina Benedetti, Thaís Caroline de Almeida Lima, Vanessa Stehling Belgd, Victor Alves Pereira, Vinicios Fernandes Alencar, Vinícius Pereira Nascimento, Vitória Regina Boita da Silva, William Edward Timm, Julio Cesar Ribeiro, Ellen Deó Bortolotte, Maria Júlia dos Santos Galvani, Giovana Souto Pereira, Victor Hugo Vaz Storch, and Dinely Luana Pereira.

 

 

First Published: July 7, 2021

Maria Alida Baar Nigri, preceptora, professora e missionária, nasceu em junho de 1904, em Riga, na Letônia. Seus pais, Christoph Baar e Maria Sophie Amalia Von Elblaus (1872-1934), eram donos de um restaurante em Riga, onde criaram seus três filhos - Wally Baar, Edgar Friederich Baar e Alida – com base nos princípios luteranos. Em 1910, Edgar Friedrich faleceu de febre escarlate. O nascimento de outro filho apenas um mês depois do funeral da criança aliviou a dor, e o novo filho também recebeu o nome de Friederich Baar.1

Pouco depois, tempos difíceis surgiram com a Primeira Guerra Mundial, iniciada em 1914 na Europa. Ao saberem sobre a guerra enquanto passavam férias no Mar Báltico, os Baars decidiram se mudar para o interior da Letônia, na tentativa de se distanciarem da fronteira alemã para maior segurança. Sua filha mais velha, Wally, estava em Moscou, Rússia, trabalhando como empregada na casa de uma família abastada. Isso preocupou os Baars ainda mais. No início de 1915, os Baars presenciaram o ataque de um avião alemão à cidade; uma bomba foi lançada e explodiu na frente do prédio onde estavam morando. Em 1917, o pai de Alida e seu irmão mais novo, Friedrich, morreram em outra epidemia de cólera. Da família, apenas sobraram a mãe, Sophie, e Alida para enfrentar essa provação juntas, sem notícias de Wally na Rússia.2

No mesmo ano, Sophie e Alida tiveram o primeiro contato com a mensagem adventista por meio de um jornal local, que as direcionou a uma série evangelística adventista que estava sendo realizada na região. Ao frequentar as reuniões, perceberam que havia apenas mulheres na igreja, pois a maioria dos homens havia sido recrutada para servir à guerra, e os pastores haviam sido presos pela sua posição não-combatente. A responsável pelas pregações durante a série era uma enfermeira, que também era obreira bíblica. Alida e sua mãe ficaram muito interessadas na mensagem adventista. Depois de receberem estudos bíblicos da equipe, foram batizadas secretamente em abril de 1918, em uma banheira de um dos quartos da igreja, já que na Letônia os batismos não podiam ser realizados em público na época.3

Após o seu batismo, Alida teve dificuldades na escola devido à sua fé. Por causa da guerra, as aulas apenas aconteciam quando a situação era favorável. Como consequência, a maioria delas acontecia aos sábados. Mesmo com a insistência de sua mãe em liberar a filha, o diretor da escola não cedeu e Alida frequentou as classes aos sábados. Por isso, ela não frequentava a igreja regularmente, o que causou um certo afastamento da comunidade. Ao notar a ausência de Alida, os Missionários Voluntários (hoje Jovens Adventistas) começaram a nomeá-la para algumas atividades nas reuniões de sábado à tarde, para que ela pudesse participar e estar presente na igreja.4 Devido à situação difícil que estavam enfrentando no local onde moravam, Alida e sua família decidiram voltar para a sua antiga casa em Riga. A cidade passou por situações perigosas até o fim da guerra em 1919.5

Em 1922, um jovem rapaz da Igreja Adventista de Riga, chamado Edmund, foi até a casa da família Baar para conversar com a mãe de Alida sobre sua viagem para o Colégio Missionário de Friedensau, situado na Alemanha. Em conversa com Sophie, disse que gostaria de ser um missionário na China e que tinha a intenção de ter a companhia de Alida, com quem tinha o propósito de se casar. Disse que estava disposto a pagar todos os seus estudos no colégio missionário. Sophie concordou com a proposta e arrumou os pertences da filha. Na época, Alida tinha 18 anos. Ela chegou em Friedensau em janeiro de 1923. Trabalhou por cerca de três anos fazendo costura no colégio para pagar pelos estudos. Contudo, Alida não sentia nada por Edmund e, a pedido da mãe, propôs restituir os pagamentos que o rapaz havia feito; mas ele não aceitou o dinheiro de volta.6

Alida graduou-se em Teologia em 1926.7 No mesmo ano, o Pastor Thomas W. Steen, diretor do Colégio Adventista Brasileiro (CAB, hoje Centro Universitário Adventista de São Paulo) visitou Friedensau em busca de jovens missionários para trabalhar no Brasil. Steen pediu à preceptora do Colégio Friedensau para sugerir o nome de algumas meninas para uma entrevista e, depois de falar com Alida, convidou-a para ser uma missionária além-mar. Alida aceitou o chamado mas estava reticente com relação à sua mãe, visto que sua pequena família era composta apenas pelas duas. Por essa razão, Steen viajou para Riga a fim de conversar com Sophie a respeito de seus planos missionários para Alida. Embora fosse sentir muita falta da filha, autorizou a viagem para que ela fosse servir a Deus no Brasil.8

Em 26 de agosto de 1926, Alida embarcou no navio Monte Sarmiento rumo à América do Sul. Em 15 de setembro do mesmo ano, ela aportou em Santos, São Paulo, onde foi recebida pelo Pastor Steen e a esposa. Ao chegar no CAB, compartilhou seu testemunho com os estudantes após um culto de sexta-feira à noite. Três semanas depois, assumiu a preceptoria do dormitório feminino, e as pessoas começaram a chamá-la de Srta. Baar. A jovem Alida, com 22 anos na época, começou a desenvolver novos sonhos enquanto servia no dormitório feminino do CAB. Alida muitas vezes usava sua criatividade para superar a falta de recursos.9

Além de ser preceptora, Alida lecionou história e ministrou um curso de alemão,10 participou do time da capelania ao pregar nos cultos, e também supervisionou a cozinha, refeitório e lavanderia. Cantava em corais e tocava piano. Durante os onze anos em que serviu ao CAB, ensinou valores cristãos sólidos para muitos jovens estudantes. Em reconhecimento ao seu trabalho, o dormitório feminino da instituição é denominado “Maria Baar Hall”.

Em 1929, Alida recebeu permissão da administração escolar para visitar sua mãe em Riga, a fim de convencê-la a se mudar para o Brasil. Entretanto, foi apenas em 1934 que Sophie, aos 62 anos, acompanhado do cunhado e neto, chegaram ao Rio de Janeiro. Nessa cidade, Alida viu seu futuro marido pela primeira vez, Moysés Salim Nigri, no escritório da Missão Rio-Minas Gerais. Ao voltar para São Paulo, a família Baar comprou uma casa em Santo Amaro, próxima ao CAB, onde viveram até seus últimos dias.12

Algum tempo depois, Alida pôde ver novamente Moysés Nigri, quem, em 1935, tornou-se aluno interno do CAB para estudar Teologia. Moysés e Alida se viam durante as refeições no refeitório do colégio e, após algum tempo, começaram a namorar. Devido à diferença de dez anos entre eles, o casal começou a sofrer preconceito da comunidade local. Após a visita de Moysés à Sra. Sophie, o namoro se tornou oficial.13 Casaram-se em 21 de fevereiro de 1938, após a graduação de Moysés em Teologia. A cerimônia civil foi celebrada no cartório de Santo Amaro, e o Pastor João Meier conduziu a cerimônia religiosa na capela do colégio.14

Logo após a lua de mel, Moysés e Alida receberam um chamado da Missão Nordeste (hoje União Nordeste Brasileira) para trabalhar em Recife, Pernambuco. Os Nigris permaneceram em Recife por um breve período, mas receberam um novo chamado para o distrito da Paraíba do Norte, localizado na cidade de João Pessoa, estado da Paraíba.15

Enquanto Moysés viajava pelo interior da Paraíba para pregar em regiões distantes da capital, Alida liderava a igreja adventista em João Pessoa, cuidando da Escola Sabatina infantil, dos serviços de assistência social (hoje ASA – Ação Solidária Adventista) e dando aulas de culinária vegetariana.16 Da união do casal nasceram quatro filhos. Os dois primeiros nasceram em João Pessoa: Rejane Erina e Elmano Moysés, e os dois últimos nasceram em São Paulo: Cássia Alida e Hélvia Meryan. Os Nigris trabalharam no Nordeste por quatro anos, até serem chamados para servir à Associação Paulista, na cidade de São Paulo.17

Por volta de 1952, Alida começou a se dedicar ao evangelismo infantil em São Paulo, incentivada e orientada pelo casal missionário Don e Dotty Christman. A princípio, o trabalho foi realizado nas igrejas da cidade de São Paulo, posteriormente no interior do estado, e depois por todo o território da Divisão Sul Americana, dando aulas, seminários, e apoiando outras mulheres com lições, materiais e assistência financeira. Hoje, o evangelismo infantil está presente na maioria das igrejas adventistas na América do Sul.18

Em 1962, Moysés Nigri foi chamado para ser secretário da Divisão Sul Americana, sediada em Montevideo, Uruguai.19 Durante os oito anos em que serviu nessa posição, Alida frequentemente acompanhava o esposo aos países Sul-Americanos para promover eventos de evangelismo infantil, o que ela fazia como voluntária à Igreja, sem receber salário. Em 1970, o casal foi chamado para a Conferência Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia, onde seu esposo serviu como vice-presidente por dez anos. Sempre dedicada e entusiasta, Maria Alida acompanhou o esposo em suas várias atividades.20

Em 1980, Alida e o esposo se aposentaram, e continuaram a morar nos Estados Unidos. Ainda assim, Alida continuou a realizar atividades nos departamentos infantis da Igreja.21 Em 1988, aos 84 anos, Alida começou a adoecer devido a problemas nos pulmões. Ela passou por cirurgia, mas o problema persistiu por vários anos. Ela faleceu em 24 de outubro de 1995, aos 91 anos.22 Dois anos antes do seu falecimento, em 1993, o CAB homenageou-a ao nomear o dormitório feminino com seu nome. Sua biografia fez parte da Notable Adventist Women of Today [Mulheres Adventistas Notáveis de Hoje], uma publicação que homenageia 149 mulheres por sua dedicação à obra adventista.23

Maria Alida Baar Nigri prestou contribuição significativa à Igreja Adventista do Sétimo Dia por mais de 60 anos. Deixando a Letônia para trás a fim de imergir em uma cultura totalmente diferente, enquanto ainda era jovem, ela serviu como preceptora no Colégio Adventista Brasileiro. Ao lado do esposo, Pastor Moysés Salim Nigri, serviu como missionária em cinco países, como também no Nordeste brasileiro, no estado de São Paulo, e no Sul do Brasil. Foi pioneira no trabalho com evangelismo infantil na América do Sul. Os esforços de Alida são reconhecidos no Brasil e mundialmente por seu auxílio no avanço da mensagem adventista.

Referências

“Dormiram no Senhor.” Revista Adventista, dezembro, 1995.

“Maria Alida Baar Nigri,” in Notable Adventist Women of Today, editado por Selma Chaij Mastrapa, 173-176. 1995.

Nigri, Moysés S. Sem FronteirasA envolvente história de um homem que marcou época. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014.

“O Ensino de Línguas Extrangeiras no Collegio,” Revista Adventista, dezembro, 1926.

Seventh-day Adventist Yearbook. Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Association, 1938.

Notas de Fim

  1. Moysés S. Nigri, Sem FronteirasA envolvente história de um homem que marcou época (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014), 11, 12, 20.
  2. Ibid., 11, 12.
  3. Ibid., 12, 13.
  4. Ibid., 13, 14.
  5. Ibid., 14, 15.
  6. Ibid., 15–17.
  7. “Maria Alida Baar Nigri” in Notable Adventist Women of Today, ed. Selma Chaij Mastrapa (1995), 174.
  8. Moysés Nigri, 17, 18.
  9. Ibid., 18, 19.
  10. “O Ensino de Línguas Extrangeiras no Collegio,” Revista Adventista, dezembro, 1926, 6.
  11. Moysés Nigri, 17, 18; “Maria Alida Baar Nigri,” 174.
  12. Moysés Nigri, 20, 36.
  13. Ibid., 40, 43, 44, 46.
  14. Ibid., 52.
  15. Ibid., 54, 56.
  16. “Maria Alida Baar Nigri,” 174, 175.
  17. Moysés Nigri, 58, 59, 68.
  18. “Maria Alida Baar Nigri,” 175.
  19. Moysés Nigri, 80.
  20. “Maria Alida Baar Nigri,” 175.
  21. Ibid., 175.
  22. Moysés Nigri, 93, 119.
  23. “Dormiram no Senhor,” Revista Adventista, dezembro, 1995, 30.
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UNASP, The Brazilian White Center –. "Nigri, Maria Alida Baar (1904–1995)." Encyclopedia of Seventh-day Adventists. July 07, 2021. Accessed March 03, 2024. https://encyclopedia.adventist.org/article?id=AGM0.

UNASP, The Brazilian White Center –. "Nigri, Maria Alida Baar (1904–1995)." Encyclopedia of Seventh-day Adventists. July 07, 2021. Date of access March 03, 2024, https://encyclopedia.adventist.org/article?id=AGM0.

UNASP, The Brazilian White Center – (2021, July 07). Nigri, Maria Alida Baar (1904–1995). Encyclopedia of Seventh-day Adventists. Retrieved March 03, 2024, https://encyclopedia.adventist.org/article?id=AGM0.