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Central Brazil Adventist Academy entrance. Accessed December 19, 2019. https://bit.ly/38RUCI5

Photo courtesy of Central Brazil Adventist Academy Archives.

Instituto Adventista Brasil Central

By Julia Castilho, and Otoniel Ferreira

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Julia Castilho

Otoniel Ferreira

First Published: September 24, 2021

O Instituto Adventista Brasil Central (IABC) é uma instituição educacional de ensino primário e secundário, em sistema de internato. Pertence à Igreja Adventista do Sétimo Dia e faz parte da rede educacional adventista mundial. Ele funciona no território da União Centro-Oeste Brasileira, localizado na Rodovia BR 414, km 411, sem número, na zona rural de Planalmira, cidade de Abadiânia, estado de Goiás.

Em uma área de 300.000m2, encontram-se os dormitórios masculino e feminino, refeitório, salas de aula, biblioteca, área de esportes, e outras dependências. Ao todo, há 693 estudantes, dos quais 380 são alunos internos,1 e recebem cuidado e assistência de 91 servidores, incluindo professores, preceptores, coordenadores e outros.

Acontecimentos que Antecederam o Estabelecimento da Escola

A mensagem adventista no Brasil chegou em Goiás na década de 1920. Jaulino Marques e Eudózio Mamede receberam a revista “O Atalaia” por correspondência. Quando conheceram o evangelho por meio desse periódico, tomaram a decisão de ser batizados no ano seguinte. A partir desse momento, suas vidas mudaram.2 Quatro anos depois, chegou em Goiás Carlos Heinrich, um médico alemão com experiência missionária na Europa e que queria pregar a mensagem naquele estado brasileiro. Ele começou seu trabalho evangelístico com a formação de um pequeno grupo na capital do estado, Goiânia.3

Naquela mesma década, após vários batismos e o aumento do número de adventistas, a União Sul Brasileira organizou as igrejas no território. A União enviou outro missionário norte-americano para Goiás, o Pastor Alvin Nathan Allen, cujo propósito era estudar meios para aumentar a implementação da obra institucionalizada na região. Como resultado, a Missão Indígena do Araguaia foi criada, que abrangia todo o estado de Goiás. Assim, a mensagem adventista foi disseminada, e a presença adventista no estado aumentou.4

Fundação da Escola

Em 1980, com a igreja de Goiás bem desenvolvida e o avanço da obra educacional, surgiu a necessidade de um internato adventista na região, considerando que os estudantes tinham que se mudar para poder frequentar escolas em outros estados do país. A Associação Brasil Central (ABC), com sede em Goiânia, decidiu intensificar a busca por uma área apropriada para estabelecer o que seria a primeira escola em regime de internato na região centro-oeste brasileira.5 Para cumprir a tarefa, o presidente da ABC em 1981, o Pastor Luiz Fuckner, com a ajuda do Pastor Rafael Mário Ayupe, do distrito de Anápolis, foi comissionado a encontrar um terreno para a construção da escola. Através dos esforços iniciais desses pastores, teve início a construção do IABC, que alcançaria vários estudantes daquela região.6

Ao receber a responsabilidade de encontrar um lugar ideal para a construção do internato, o Pastor Fuckner começou a procurar um terreno a aproximadamente 100 km de Goiânia. Inicialmente, seu orçamento era de 36.000 Cruzeiros. Desde que assumira a presidência da ABC, ele havia ouvido falar sobre uma área que seria doada pelo governador do estado no município de Anicuns. No entanto, essa área não foi considerada viável por causa da distância. Incansavelmente, o Pastor Fuckner visitou outros 40 lugares em busca da melhor localização.7

Em 3 de julho de 1981, os pastores estavam voltando de outra visita malsucedida a uma fazenda próxima à BR-153, entre os municípios de Anápolis e Jaraguá. No caminho, eles pararam em um posto fiscal. Enquanto conversavam, um senhor ouviu o diálogo e entendeu que eles estavam em busca de uma área para construir uma escola. Esse senhor indicou um corretor na cidade de Anápolis que conhecia uma fazenda, a qual, possivelmente, serviria para esse propósito. No entanto, os pastores pensaram que seria outra expectativa frustrada.8

Considerando a insistência do senhor, os pastores decidiram procurar pelo corretor naquela mesma noite. No dia seguinte, visitaram a fazenda do Quilombo do Capivari, localizada em Planalmira, e estavam convictos de que aquele era o local. Algumas das características daquela terra fizeram-na o lugar ideal na opinião do Pastor Fuckner, pois ela era bem localizada, plana e ficava em altitude elevada. Além disso, descobriram que essa região, em particular, era uma das menos afetadas pelas variações de temperatura no Brasil, visto que tanto no verão como no inverno a temperatura era agradável.9

No entanto, outros pensaram que não valia a pena adquirir a terra, pois não era muito atrativa, sendo que havia apenas mato em volta. De acordo com o Pastor Fuckner, havia apenas “uma árvore de pequi e um casebre velho onde morava uma família”. Mais tarde, quando outros colegas pastores visitaram a propriedade, eles não compreenderam o entusiasmo sobre o local, pois parecia tão rústico e hostil. Ainda assim, o Pastor Fuckner estava convicto de que aquele era o local a ser comprado.10

Com esperanças renovadas, ambos os pastores falaram com o dono, o Sr. Adair Alves de Brito, para ver como poderiam fazer para adquirir a propriedade. Descobriram que a fazenda já estava praticamente vendida para uma destilaria de álcool. Contudo, o dono ficou interessado no projeto da construção de um internato. Como havia alguns obstáculos na negociação com a destilaria, o dono estabeleceu um preço e deu um prazo curto para fechar negócio. Os pastores Fuckner, Rafael Mário Ayupe, Célio Feitosa (líder do departamento de educação da ABC), Nevil Gorski (líder do departamento de Educação da Divisão Sul-Americana) e o Sr. José Borges dos Santos (diretor do Centro Educacional de Anápolis) visitaram a fazenda e, em seguida, agendaram uma reunião para decidir sobre a compra da propriedade.11

Em 14 de junho de 1981, às 10h da manhã, embaixo de uma árvore próxima à estrada que atravessava a fazenda, um comitê foi convocado para deliberar sobre a compra. Os membros eram os pastores Luiz Fuckner, Alci Oliveira, Célio Feitosa, Darci Borba, Adolfo Reis, João Wolf, Mário Veloso, Nevil Gorski e o Sr. José Borges. Ali, foi votada e aprovada a compra da propriedade para a construção do Instituto Adventista Brasil Central. Em 23 de junho de 1981, o Pastor Fuckner tinha o dinheiro em mãos e o voto de aprovação do comitê para a compra. Uma vez que o acordo foi concluído, a propriedade foi registrada no cartório de Abadiânia. Em seguida, em uma comissão de campo, o Pastor Fuckner sugeriu que o internato fosse chamado Instituto Adventista Brasil Central – sugestão aceita por todos.12

Assim que a propriedade foi adquirida, o Pastor Fuckner sentiu que ele havia cumprido seu dever, e que sua participação na grande tarefa de construir o primeiro internato no Centro-Oeste havia terminado.13 Logo após a compra da propriedade, o trabalho teve início imediatamente. No final de 1982, com poucos recursos para o início da obra, o Pastor John Wolff sugeriu que o Pastor Fuckner buscasse ajuda de uma fundação alemã chamada Centro Evangélico de Ajuda ao Desenvolvimento (EZE),14 e foi o que fizeram.15

Para obter fundos do EZE, escreveram uma carta de requerimento. O complexo processo, que resultou em mais de 20 quilogramas de documentação em papel, solicitou 50% do valor do projeto – que seria obtido como doação. Para assegurar o valor restante, buscaram ajuda do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social (FAS), uma agência do Ministério da Educação (MEC); essa foi a primeira vez que a Igreja Adventista do Sétimo Dia no Brasil fez um empréstimo. O financiamento foi subsidiado por meio de um termo de restituição de 15 anos, com prazo de tolerância de dois anos, com juros.16

Mesmo antes do financiamento desses dois órgãos ser confirmado, os líderes da IASD se reuniram no centro daquela humilde fazenda e lançaram a pedra fundamental da escola; o livro “Educação”, de Ellen G. White, foi depositado na pequena urna. Em 22 de dezembro de 1981, o primeiro diretor do IABC foi nomeado, o Sr. José Borges, quem por algum tempo manteve a função de diretor tanto do Centro Educacional de Anápolis, quanto do IABC. Na época, seu papel no internato era manter o controle e encaminhar projetos para o EZE e a FAS, assim como expedir documentações da fazenda e estabelecer as redes de energia elétrica e hidráulica.17

Em março de 1982, o representante do EZE foi até a fazenda para revisar o projeto e ver se seria possível aprovar o orçamento de construção. Tudo dependia daquela análise. Durante a longa espera, o Pastor Fuckner e o Sr. José Borges às vezes pensavam que tudo era um sonho inalcançável. No entanto, em janeiro de 1983, a angústia deles terminou quando chegou a carta com a resposta positiva. No dia 20 daquele mês, o contrato foi finalmente assinado entre o EZE e a USB. O valor da doação era de 1.200.000 marcos alemães, o equivalente a 357.036.000,00 Cruzeiros na época da assinatura do contrato. O valor que viria da FAS foi liberado em agosto de 1983, trazendo ainda mais alegria a todos os envolvidos no projeto do IABC. Em 18 de agosto, às 11h da manhã, o contrato foi assinado entre a FAS e a USB na sede do banco da Caixa Econômica Federal, em Goiânia.18

Em 25 de abril de 1983, mesmo antes do último fundo ser liberado, o diretor Borges foi até a fazenda acompanhado de um time. O grupo era composto por um mestre de obras, Raimundo Dias, dois pedreiros, Wilmar e Olegário, e Julian Garza, responsável pelo cultivo da fazenda. A primeira tarefa do time era definir a localização de alguns prédios, especialmente do refeitório do colégio, assim como preparar a cerimônia oficial para dar início à obra, que aconteceria naquele mês e ano com o orçamento que esperavam receber.19

No mesmo dia, 25 de abril de 1983, teve início a construção do Instituto Adventista Brasil Central. Estavam presentes na ocasião os líderes de departamento da Associação Brasil Central, liderada pelo Pastor Luís Fuckner, presidente; o Pastor Lauro Grellmann, tesoureiro da União Sul Brasileira (USB); Pastor Nevil Gorski, líder educacional da Divisão Sul Americana (DSA); Pastor Haroldo Seidl, responsável pelo departamento de projetos da DSA; Dr. Valdemar Wenzel, engenheiro do projeto e professor; e José Borges dos Santos, diretor do IABC. O Pastor Darci Borba, presidente da USB (União que administrava o território na época) também estava presente, e assim começou a construção do primeiro prédio do IABC, o refeitório. A liberação dos fundos contribuiu para o rápido andamento do projeto.20

Em 24 de maio de 1983, o primeiro caminhão de materiais chegou à fazenda, o que levou à criação da rede elétrica, rede hidráulica, e à construção dos prédios. O reservatório de água não foi instalado até 10 de janeiro de 1984, quando os prédios do IABC estavam começando a ganhar forma. Em 4 de junho daquele ano, vários adventistas se reuniram no internato e se alegraram ao ver os prédios, ainda inacabados. O evento contou com a presença do Pastor Neal Wilson, então presidente da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia, ao lado de sua esposa. Ele disse que ficou encantado com a localização, o clima, a vista panorâmica e os projetos que encontrou ali.21

O alvo dos administradores era que, em 1985, o IABC estivesse funcionando com uma escola primária e secundária. Wilson Tavares foi o primeiro estudante a chegar na escola. Ele queria ajudar com a construção e garantir uma vaga como estudante na instituição através do seu trabalho. Vários outros alunos também chegaram, sob a mesma condição, dentre eles Elias e José Alves, em 1984, e Marcos, Gislaine e Eldete em 1985 – que vieram de diferentes estados brasileiros. A partir de 28 de fevereiro de 1985, alunos regulares começaram a chegar, preparando-se para o início do ano escolar em 4 de março daquele ano. O IABC tinha como objetivo fornecer educação de qualidade a estudantes carentes, especialmente adventistas naquela região central. Assim, não seria necessário aos estudantes viajar para outras regiões do Brasil, longe de onde moravam.22

No primeiro dia de aulas, conforme programado, estavam presentes o deputado estadual Idelfonso Avelar e o deputado federal Ademar Santilo, que era o secretário estadual de educação, e quem fez o discurso inaugural. A professora Maria Angelina, delegada de ensino de Anápolis, também estava presente. No final do ano escolar, havia cerca de 120 estudantes, dos quais 100 eram internos. Finalmente, em 8 de dezembro de 1985, às 10h da manhã, o IABC foi oficialmente inaugurado, com a missão de educar para a vida e para a eternidade.23

História da Escola

A fim de funcionar bem, as atividades do IABC foram planejadas cuidadosamente. Logo no início de novembro de 1984, o primeiro time de administradores, professores e equipe havia sido formado:  José Borges dos Santos, diretor; Waldomiro Passos, tesoureiro; Gercina Borges, secretária; Osvaldo Toledo, preceptor; Neila Gomes, preceptora; Amir Rodovalho, contador; Nilce F. Santos, caixa e recursos humanos; Antonio Freitas, responsável de compras; Elzi Freitas, cozinheira chefe; Aparecida Bonfim, chefe da lavanderia; Benedito Batista, chefe da marcenaria; Julian Garza, agricultura e manutenção e Daniel Martins, mestre de obras. O time de professores era formado por: Osvaldo Toledo, ciências e pedagogia; Daniel Fiúza, ciências sociais e educação religiosa; Ester Fiúza, português e inglês; Silas Kanada, matemática, química e física; Geni Toledo, português da terceira à sexta série; Rute Rodovalho, primeira e segunda séries.24 Contando os professores e time administrativo, havia 19 funcionários, ao todo.25

Entre 29 de novembro e 1º de dezembro de 1984, foi realizada a primeira campal do IABC. Mil adventistas de aproximadamente 50 igrejas no estado de Goiás estavam presentes. Na sexta-feira à noite, o diretor José Borges apresentou a história da instituição e o processo de construção, desde os estágios iniciais, quando a propriedade foi adquirida, há três anos e meio antes daquela data.26

Nos primórdios da escola, havia algumas dificuldades. O sistema de radiotelefonia era um grande impasse para a comunicação.27 Em 1985, a primeira antena de telefone no IABC foi instalada. Era um sistema falho, que tornava certos procedimentos difíceis.28 Além disso, a rodovia que ligava a escola a Anápolis, a BR-414, ainda estava sendo preparada para receber asfalto, e por isso era difícil viajar devido à grande quantidade de poeira e lama, que formavam poças.29 Pouco depois do término da estrutura da escola, o então governador de Goiás, Henrique Santillo, concedeu a aprovação para a construção das ruas da escola, e doou o pavimento para o anel viário do IABC.30

Em outubro de 1985, o Sr. Enoch Silva, preceptor chefe, foi nomeado diretor.31 Dois meses depois, o IABC foi oficialmente inaugurado, com a presença dos líderes da DSA e da UCB, juntamente com 250 estudantes.32 Em 4 de junho de 1989, o instituto inaugurou os prédios, os compartimentos técnicos, a pecuária e uma pista de atletismo, além do lançamento de pedras fundamentais para outros projetos. Estavam presentes no evento equipes civis e militares, líderes de departamentos da União Central Brasileira (UCB) e da ABC, pastores, pais e estudantes. Em seguida, houve o corte da fita inaugural da biblioteca, feito pelo seu patrono, o Dr. Hoyler, e a inauguração da lavanderia, do complexo de ordenha mecânico, e da pista de atletismo polivalente.33

Em 1990, foram feitas melhorias nos setores da agricultura, construção e comunicação, e também houve progresso acadêmico. Além disso, o instituto tinha 35 vacas leiteiras para suprir a demanda interna, e estava implementando a criação de cabras e galinhas com duplo propósito: atender às necessidades institucionais e funcionar como laboratório nas aulas práticas do curso de agricultura.34

No mesmo ano, a instituição recebeu uma doação dos Irmãos Nogueira, indústria de tritura de cereais. O setor da agricultura tinha 400.000 m2 de terra cultivada com soja, arroz e milho. A infraestrutura acadêmica foi expandida, com mais duas salas de aula, usando recursos financeiros dos fundos do MEC. O Centro de Telefonia, que tinha um PABX habilitado para 100 extensões, e o correio foram terminados. No setor de esportes, teve início a construção da quadra de tênis e da piscina semiolímpica. A primeira graduação do Curso Técnico em Agricultura, muito procurado pelos alunos na época, também aconteceu em 1990,35 e em 4 de junho do mesmo ano, o IABC inaugurou a Biblioteca Pastor Jorge Hoyle, que na época continha dois mil volumes.36

Em 1991, a instituição alcançou o número de 352 alunos matriculados, dos quais 232 eram internos. O IABC oferecia o ensino fundamental e médio, além de um curso de treinamento para professores. O projeto da escola era inaugurar o curso de Contabilidade, com noções de computação, construir o conservatório musical, o laboratório, e expandir o prédio escolar.37 A rede elétrica representava um desafio para a instituição, pois não funcionava adequadamente e eles tinham quedas de energia com frequência. Por esse motivo, um gerador foi providenciado, inaugurado pelo Pastor José Borges dos Santos em 1992, e que ainda funciona até hoje.38

Em 22 de novembro de 1999, o Pastor Dário Gabriel, ex-estudante da instituição, pregou na igreja do IABC em comemoração ao aniversário do instituto, que reuniu vários ex-alunos. Daquele evento, eles formaram a associação de ex-alunos do IABC, cujo presidente era Levi Ferreira.39 Em 2007, a instituição lançou o projeto de oito meses chamado “poder IABC”, um programa intensivo de preparação dos estudantes para o vestibular de entrada a universidades públicas e privadas.40 Em 2010, quando a instituição celebrou 25 anos de existência, ela tinha uma estrutura forte e sólida, com um conservatório musical, setor pedagógico, departamento financeiro, sala de computadores, entrada, setor de nutrição (composto de restaurante e cozinha), dormitórios masculino e feminino, um jardim etc.41

Em 2013, foi inaugurada uma nova Igreja Adventista com capacidade para 600 pessoas. De acordo com o Pastor Erton Köhler, presidente da Divisão Sul-Americana (DSA), essa foi uma construção de importância primordial, pois é o primeiro prédio que as pessoas veem da rodovia em frente à escola.42 Em 2017, a Agência de Missões foi aberta e, desde então, além do trabalho missionário local, a escola têm oferecido tradicionalmente ajuda aos povos indígenas do Xerente, no estado do Tocantins. De 17-31 de outubro de 2018, foi lançada a primeira missão do IABC para estudantes e equipe.43 Eles viajaram para o Peru a fim de realizar atividades missionárias na Ilha de Amantani.44

Ao longo dos anos, o IABC intensificou a realização de atividades importantes para a educação holística dos alunos. Dentre elas estão: a campal do IABC, que acontece uma vez por ano e visa relembrar o espírito pioneiro dos grandes líderes que fizeram história no internato; o Festival da Amizade, realizado todos os anos em alternância de meninas para meninos, ou meninos para meninas, com vistas a fortalecer o laço de irmandade entre os estudantes; o Festival de Talentos, que busca conhecer os grandes talentos da escola; o Culto da Mata, realizado todos os domingos ao nascer do Sol;45 a Missão IABC, projeto que busca preparar jovens para a missão de pregar o evangelho; e o Projeto Trainee, que funciona como um curso livre e dá oportunidade aos jovens para trabalhar em escolas e associações em várias funções, desde a contabilidade até a recepção e atendimento por telefone, a fim de prepará-los para o serviço em instituições da igreja.46

A respeito dos cursos oferecidos pelo IABC, em 8 de dezembro de 2010, foi inaugurada a primeira turma de pós-graduação da instituição. Esse programa busca oferecer aos professores e funcionários do instituto a oportunidade de se especializar em várias áreas educacionais. O objetivo é melhorar ainda mais a qualidade da educação oferecida pelo internato.47 Esse projeto foi lançado em parceria com a Faculdade Barão de Mauá, e oferece diversos cursos com duração média de 12 meses. Dentre eles estão: Administração Escolar; Supervisão e Orientação Escolar; Educação Especial; Educação Ambiental; Língua Portuguesa; Finanças; e Leis Trabalhistas.

Para o IABC se tornar o que é hoje, muitas pessoas trabalharam duro. Devem ser especialmente mencionados os diretores e outros servidores, começando com o primeiro diretor, o Sr. José Borges, que enfrentou grandes desafios nos primórdios do internato. Muitos obreiros e apoiadores depois dele contribuíram e fizeram vários avanços possíveis em termos da estrutura física e pedagógica do IABC.

Papel Histórico da Escola

O Instituto Adventista Brasil Central é uma referência na cidade onde está localizado, por sua infraestrutura, sistema educacional, atividades oferecidas etc., como também por sua mensagem. Além disso, ele ainda é uma referência para a região inteira administrada pela União Centro-Oeste Brasileira (UCoB), especialmente aos Adventistas do Sétimo Dia. O internato serve primariamente estudantes dos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Goiás e Tocantins, regiões próximas ao instituto, mas também recebe estudantes de outras partes do país.

O IABC procura promover um estilo de vida saudável, o que permite aos estudantes desenvolverem-se em seus próprios domínios e assimilarem os valores da disciplina, respeito, responsabilidade, integridade, amizade, bondade, paciência e fé em Deus. Além da frequência regular às aulas, os estudantes podem contar com atividades práticas, culturais, sociais e esportivas, reuniões espirituais, e atividades de trabalho voluntário em comunidades próximas.48

Por meio da Agência de Missões, os alunos têm impactado periodicamente a comunidade onde estão inseridos, além de buscarem outras regiões próximas para evangelizar. No entanto, os missionários não estão restritos apenas àquela região, mas têm expandido seu alcance ao mundo, como na Missão Peru de 2018, na qual vários estudantes e equipe se uniram para pregar o evangelho em uma comunidade em particular daquele país.49

De acordo com o Pastor Erton Köhler, presidente da DSA, o IABC tem se tornado uma das grandes forças da educação adventista, não apenas no Brasil, mas em toda a América do Sul. Partindo de um começo humilde, e pela graça de Deus, o internato do IABC é hoje um local onde os alunos podem crescer academicamente e se beneficiarem da boa infraestrutura oferecida, baseado em princípios e valores cristãos que deixam marcas profundas no caráter.50

O Que Falta Para Cumprir a Missão da Escola

Atualmente, a missão da escola é promover, por meio da educação cristã, o desenvolvimento harmônico dos aspectos físico, intelectual, social e espiritual dos estudantes, formando cidadãos pensantes que serão úteis à comunidade, ao país e a Deus.51 Considerando a história da escola, que iniciou em uma terra semiárida, o IABC tem se tornado cada vez mais um exemplo de instituição educacional, por esforços de muitas pessoas. O trabalho dos servidores para cumprir sua missão com os alunos matriculados tem sido notável.52

O que tem mais chamado a atenção dos jovens com relação ao internato no Centro-Oeste do país é, sem sombra de dúvida, a filosofia de ensino, um caminho que deve continuar. A qualidade e conforto da estrutura oferecida pela instituição também são atrativos. Quanto ao futuro, é possível imaginar o risco crescente à integridade física e moral dos adolescentes nas grandes cidades. Os pais estão muito ocupados com seu trabalho e não têm tempo para oferecer atividades que proporcionem crescimento aos alunos. Por causa deste e de outros fatores, o IABC deve se apresentar como uma opção cristã para cumprir essas expectativas, cumprindo os propósitos de Deus por meio da escola.53

Lista de Diretores

José Borges dos Santos (1982-1985); Enoch Silva (1985-1989); José Borges dos Santos (1990-1993); José Roberto Reis (1994-1996); Willer C. Prego (1996); Héber de Oliveira (1997-1998); Rui Manuel Mendonça Lopes (1999-2001); Osni Sales de Oliveira (2002-2006); José Aparecido (2006-2009); Wesley Zukowski (2009-2016); Samuel Bruno (2016-atualmente).54

Referências

Abreu, Fábio. “Pós-graduação no IABC.” Site do IABC, 10 de dezembro, 2010.

“Aprendendo com o passado.” Revista do IABC 25 Anos, 2010.

“Brasil Central.” Revista Adventista, março, 1984.

“Colégio IABC.” Revista do IABC 25 Anos, 2010.

“Em busca das origens.” Revista do IABC 25 Anos, 2010.

“Entrevista com o diretor Wesley Zukowski.” Revista do IABC 25 Anos, 2010.

Fuckner, Luiz. Entrevistado por Julia Castilho, 11 de abril, 2019.

“IABC inaugura biblioteca.” Revista Adventista, novembro, 1990.

“IABC inaugura novas instalações.” Revista Adventista, dezembro, 1989.

“IABC lança programa de preparação para o vestibular.” Revista Adventista, junho, 2008.

“IABC tem ‘roupa nova’.” Revista Adventista, novembro, 1988.

“Inauguração do IABC.” Revista Adventista, abril, 1986.

“Iniciada a construção do IABC.” Revista Adventista, junho, 1983.

Lemos, Felipe. “Inauguração Igreja do IABC.” Site do IABC, 20 de maio, 2013.

Lemos, Francisco. “IABC: seis anos de vitória.” Revista Adventista, dezembro, 1991.

“No coração do Brasil.” Revista Adventista, janeiro, 1999.

“O que está acontecendo no IABC.” Revista Adventista, abril, 1990.

“O IABC abre suas portas.” Revista Adventista, agosto, 1984.

“O IABC faz.” Revista do IABC 25 Anos, 2010.

“Primeira Campal do IABC.” Revista Adventista, janeiro, 1985.

Reportagem Informativa em Vídeo. Relatório Quadrienal – Associação Brasil Central 2013. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=BprEnS1c8K0. Acessado em 14 de março, 2019.

SSE - Sistema de Secretaria das Escolas – Educação Adventista, 2019.

Site da Educação Adventista. http://educacaoadventista.org.br.

Site Oficial de Notícias Adventistas. https://noticias.adventistas.org/pt.

“Verbas do CEF para novo colégio.” Revista Adventista, outubro, 1983.

Wichinheski, Ionara. “Instituto Adventista Brasil Central celebra 3 décadas de existência.” Site Oficial de Notícias Adventistas, 4 de novembro, 2015.

Notas de Fim

  1. Informação obtida pelo SSE - Sistema de Secretaria das Escolas - 2019.
  2. Reportagem informativa em vídeo. Relatório Quadrienal – Associação Brasil Central 2013. Disponível em https://bit.ly/2N0lv2S. Acessado em 14 de março, 2019.
  3. Ibid.
  4. Ibid.
  5. “Em busca das origens,” Revista do IABC 25 Anos, 2010, 4.
  6. Ibid.
  7. Luiz Fuckner, entrevistado por Julia Castilho, 11 de abril, 2019.
  8. Ibid.
  9. Ibid.
  10. Ibid.
  11. “Em busca das origens,” Revista do IABC 25 Anos, 2010, 4-5.
  12. Luiz Fuckner, entrevistado por Julia Castilho, 11 de abril, 2019.
  13. Ibid.
  14. O EZE é uma instituição eclesiástica alemã “que desenvolve projetos em países em desenvolvimento” [...] e coordena o “Centro de Animações Sobre a Terra e a Democracia, um programa de diálogo e intercâmbio entre ONGs brasileiras e alemãs, promovido por um grupo de organizações brasileiras não-governamentais [...].” Renata Curcio Valente, A GTZ no Brasil: uma etnografia da cooperação alemã para o desenvolvimento (Rio de Janeiro, RJ: Editora E-papers Ltda, 2010), 231.
  15. “Em busca das origens,” Revista do IABC Review 25 Anos, 2010, 6.
  16. Luiz Fuckner, entrevistado por Julia Castilho, 11 de abril, 2019; “Em busca das origens,” Revista do IABC Review 25 Anos, 2010, 6.
  17. “Em busca das origens,” Revista do IABC Review 25 Anos, 2010, 6.
  18. Ibid; “Verbas do CEF para novo colégio,” Revista Adventista, outubro, 1983, 31.
  19. Ibid., 7.
  20. “O IABC abre suas portas,” Revista Adventista, agosto, 1984, 20; “Iniciada a construção do IABC,” Revista Adventista, junho, 1983, 28-29.
  21. Ibid., 8.
  22. “Brasil Central,” Revista Adventista, março, 1984, 25, 28.
  23. Ibid.
  24. IABC Website, “Histórico,” acessado em 2 de julho, 2019, https://bit.ly/2xrGnbc.
  25. “Colégio IABC,” Revista do IABC 25 Anos, 2010, 24.
  26. “Primeira Campal do IABC,” Revista Adventista, janeiro, 1985, 25.
  27. Ibid; IABC Website, “Histórico,” acessado em 2 de julho, 2019, https://bit.ly/2xrGnbc.
  28. “Aprendendo com o passado,” Revista do IABC 25 Anos, 2010, 15.
  29. “Colégio IABC,” Revista do IABC 25 Anos, 2010, 25.
  30. “Em busca das origens,” Revista do IABC 25 Anos, 2010, 8; “IABC tem ‘roupa nova’,” Revista Adventista, novembro, 1988, 27.
  31. Site do IABC, “Histórico,” acessado em 2 de julho, 2019, https://bit.ly/2xrGnbc.
  32. “Inauguração do IABC,” Revista Adventista, abril, 1986, 24.
  33. “IABC inaugura novas instalações,” Revista Adventista, dezembro, 1989, 29.
  34. “O que está acontecendo no IABC,” Revista Adventista, abril, 1990, 33.
  35. Ibid.
  36. “IABC inaugura biblioteca,” Revista Adventista, novembro, 1990, 28.
  37. Francisco Lemos, “IABC: seis anos de vitória,” Revista Adventista, no. 12 (dezembro 1991): 21.
  38. “Colégio IABC,” Revista do IABC 25 Anos, 2010, 24.
  39. “No coração do Brasil,” Revista Adventista, janeiro, 1999, 21.
  40. “IABC lança programa de preparação para o vestibular,” Revista Adventista, junho, 2008, 25.
  41. Conhecimento pessoal do autor por trabalhar na instituição.
  42. Felipe Lemos, “Inauguração Igreja do IABC,” Site do IABC, 20 de maio, 2013, acessado em 29 de junho, 2019, https://bit.ly/308Ttq3 .
  43. Site do IABC, “Agência de missões,” acessado em 29 de junho, 2019, https://bit.ly/2NHiMP1.
  44. Site do IABC, “Missão Peru,” acessado em 29 de junho, 2019, https://bit.ly/324jVmL.
  45. “O IABC faz,” Revista do IABC 25 Anos, 2010, 34.
  46. Ibid., 35.
  47. Fábio Abreu, “Pós-graduação no IABC,” Site do IABC, 10 de dezembro, 2010, acessado em 29 de junho, 2019, https://bit.ly/2J4M3yE .
  48. Site da Educação Adventista, “Internatos,” acessado em 30 de junho, 2019, https://bit.ly/2KTkPNr.
  49. Site do IABC, “Missão Peru,” acessado em 29 de junho, 2019, https://bit.ly/324jVmL.
  50. Ionara Wichinheski, “Instituto Adventista Brasil Central celebra 3 décadas de existência,” Site Oficial de Notícias Adventistas, 4 de novembro, 2015, acessado em 3 de junho, 2019, https://bit.ly/2FHMSLJ .
  51. Site do IABC, “Missão, visão e valores,” acessado em 29 de junho, 2019, https://bit.ly/2XH7wFY.
  52. “Entrevista com o diretor Wesley Zukowski,” Revista do IABC 25 Anos, 2010, 37.
  53. Ibid.
  54. Mais informações sobre o IABC podem ser encontradas no seguinte site: https://www.iabc.org.br ou nas mídias sociais: Facebook IABC Colégio Adventista, Twitter @IABCoficial, ou no Canal do YouTube IABC Colégio Adventista.
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Castilho, Julia, Otoniel Ferreira. "Central Brazil Adventist Academy." Encyclopedia of Seventh-day Adventists. September 24, 2021. Accessed January 28, 2023. https://encyclopedia.adventist.org/article?id=7I54.

Castilho, Julia, Otoniel Ferreira. "Central Brazil Adventist Academy." Encyclopedia of Seventh-day Adventists. September 24, 2021. Date of access January 28, 2023, https://encyclopedia.adventist.org/article?id=7I54.

Castilho, Julia, Otoniel Ferreira (2021, September 24). Central Brazil Adventist Academy. Encyclopedia of Seventh-day Adventists. Retrieved January 28, 2023, https://encyclopedia.adventist.org/article?id=7I54.