Hospital Adventista de Salvador
By Nesias Joaquim dos Santos, and Adilson da Silva Vieira
Nesias Joaquim dos Santos
Adilson da Silva Vieira
First Published: October 18, 2021
O Hospital Adventista de Salvador foi uma unidade médica da Igreja Adventista do Sétimo Dia que funcionou entre 1984 e 1990. Localizava-se na Rua Caetano Moura, nº 20, bairro da Federação, CEP 40210-340, na cidade de Salvador, estado da Bahia, Brasil.
Acontecimentos que Levaram ao Estabelecimento da Instituição
Embora o movimento adventista tenha se iniciado na Bahia em 1905, suas origens estão diretamente relacionadas a eventos ocorridos em 1904, mais especificamente, a criação da Associação Brasileira (atual Associação Rio de Janeiro). Nessa data, o Pastor F. W. Spies foi eleito para presidir o novo campo e logo começou a viajar pelo sertão brasileiro, que, na época, era uma região pertencente ao território de atuação da nova Associação. 1 Em 1908, o pastor foi à cidade de Santo Antônio de Jesus para batizar o primeiro adventista do estado da Bahia. 2
A Igreja Adventista do Sétimo Dia demorou bastante para alcançar um crescimento sustentável na capital da Bahia. Líderes como John Lipke, 3 Manoel Kümpel, 4 Manoel Rohde 5 e os colportores Zacharias Marthins Rodrigues, 6 Leopoldo Nabuco, entre outros, relataram dificuldades para trabalhar em Salvador no início dos anos 1920. Eles atribuíram essa dificuldade a fatores como descrença, forte tradição católica, misticismo religioso e forte influência das religiões afro-brasileiras na região, principalmente do candomblé e umbanda.
Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelos pioneiros adventistas, por volta de 1930 alguns colportores, sob a liderança do ancião Julio Miñan, disseminaram uma quantidade notável de literatura e, assim, a resistência do povo diminuiu. Foi então que Miñan publicou um artigo na Revista Adventista para notificar o fim dos obstáculos que impediam o crescimento da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Bahia até então, afirmando que o caminho estava aberto para o avanço da pregação. 7 Já na década de 1940, o trabalho em Salvador cresceu bastante, equiparando-se ao realizado no interior do estado, onde as atividades avançavam continuamente. Isso se deveu à colportagem, que sempre cumpriu o seu papel missionário fundamental para aquela época e região. 8
Enquanto o evangelho avançava na capital da Bahia, a Igreja Adventista do Sétimo Dia abriu as primeiras instituições missionárias que levariam adiante a obra da saúde. A criação do Hospital Adventista de São Paulo, 9 na capital paulista, e do Hospital Adventista Silvestre, na cidade do Rio de Janeiro, 10 marcaram o início de uma nova era. Ambos os hospitais foram inaugurados em 1942. Quatro anos depois, em 1946, os serviços de assistência social na Bahia começaram a ser oferecidos por meio da lancha médico-missionária Luminar I, 11 que atuava no Rio São Francisco. Essa ação fez com que a igreja local sonhasse com uma unidade hospitalar na capital - um sonho que parecia muito distante.12
Outro fator que impulsionou o desejo de estabelecer um hospital adventista na Bahia ocorreu em 1960, quando o piloto George Shaw passou a servir regiões mais distantes do estado com o avião missionário. Shaw prestaria atendimento médico e levaria suprimentos para que os procedimentos de primeiros socorros fossem oferecidos aos pacientes, sob a liderança do Pastor George Merlin Kretschmar, que presidiu a Missão Bahia-Sergipe entre 1961 e 1968. 13
Durante a década de 1960, para acelerar o processo de atendimento médico, a Igreja Adventista do Sétimo Dia começou a dirigir um ambulatório na Igreja Central de Salvador. 14 À medida que os serviços eram anunciados e mais gente começava a procurá-los, o projeto precisou ser transferido para o bairro de Brotas, na Rua Alto do Saldanha, s/nº. O ambulatório permaneceu nesse endereço até ao ano de 1976, mais precisamente até 31 de dezembro, quando foi fechado pela votação n ° 282/76. Uma das razões para o fechamento foi a falta de profissionais médicos com a filosofia de saúde adventista. 15
Durante a gestão do Pastor George Merlin Kretschmar, em 1964, a igreja concentrou seus esforços na cidade de Itaquara. Ali, foi organizada uma estrutura de serviços e instituições que compreendia uma horta, padaria, olaria e escola diurna localizada na Fazenda Arroz, onde também existia um assentamento para produtores agrícolas. Eventualmente, a escola diurna passou a ser em regime de internato. Além disso, ainda em 1964, foi criada a Clínica Adventista de Itaquara. Por meio dessas ações, posteriormente surgiu a ideia de instalar um hospital na capital. 16
Para administrar a clínica em Itaquara, a Igreja Adventista do Sétimo Dia convidou dois médicos da cidade do Rio de Janeiro: o Dr. Júlio Davi e o Dr. Aloísio Sergio Melo. Após um retrocesso no projeto, o Dr. Aloísio Sergio de Melo voltou ao Rio de Janeiro. Já o Dr. Júlio Davi permaneceu na cidade por mais de dez anos, até o fechamento da clínica. 17
Em 1976 a Missão Bahia-Sergipe pediu às organizações superiores para enviar a Salvador um representante do Grupo Hospitalar Adventista Brasileiro (GHAB) a fim de fazer uma avaliação local. 18 Em reunião, o Dr. Zildomar Deucher foi escolhido para apresentar uma avaliação técnica sobre a viabilidade do hospital baiano, 19 bem como para atuar em uma comissão especial para viabilizar tal objetivo. 20 Todos esperavam que essa ferramenta evangelística (obra médico-missionária) finalmente chegasse ao território baiano.
Na época, todas as instituições de saúde da Igreja Adventista do Sétimo Dia no Brasil estavam sob administração do GHAB, que já englobava o Hospital Adventista de São Paulo, o Hospital Adventista Silvestre e o Hospital Adventista de Belém. Enquanto isso, as demais regiões do país careciam muito da obra médica. Os primeiros anúncios de mudança nesse cenário ocorreram em 1978, quando o GHAB inaugurou o Hospital Adventista de Manaus. 21
Em 1979, uma equipe da Faculdade de Medicina de Loma Linda, nos Estados Unidos, visitou o Brasil a convite do GHAB, com o objetivo de elaborar projetos de promoção da saúde, incluindo a abertura de novas unidades hospitalares. Nessa oportunidade, Zildomar Deucher, cardiologista e então presidente do GHAB, deu início a uma intensa campanha de obtenção de recursos para inauguração de novas unidades médicas no país. Com o passar dos dias, o sonho de ter um hospital tornou-se mais real para os adventistas da Bahia. 22
Em 7 de dezembro de 1982, a liderança do GHAB decidiu celebrar, por meio de um culto de ação de graças, o quadragésimo aniversário da obra médica no Brasil. Os vários administradores, médicos, enfermeiras, funcionários e até ex-pacientes dos hospitais adventistas em operação no Brasil participaram da ocasião, que foi coberta pela Revista Adventista, anunciando a construção prevista de dois novos hospitais - em Brasília, Distrito Federal e Salvador, Bahia, bem como a reestruturação de um terceiro hospital na cidade de Recife, Pernambuco. 23
Vale ressaltar que durante a gestão do GHAB como entidade responsável pelos hospitais adventistas foram adquiridas novas unidades hospitalares em várias regiões do país. Além das unidades de Brasília (1981), Recife (1982) e Salvador (1982),24 o GHAB conseguiu inaugurar unidades em Curitiba, estado do Paraná, Belo Horizonte, estado de Minas Gerais (1981) e Vitória, estado do Espírito Santo (1982). 25
Fundação da Instituição
A fundação do HASa está relacionada a um episódio importante ocorrido em 1976 - quando o Dr. Milton Afonso, então presidente da Golden Cross, 26 recebeu uma oferta para comprar um hospital em Belo Horizonte. Embora estivesse entusiasmado com a aquisição do hospital, percebeu que seus amigos e funcionários não concordavam com a iniciativa, 27 apesar de o estabelecimento ser considerado “um gigante”, sendo até mesmo comparado a “uma cidade médica”. A disputa em torno desse assunto era tão grande que Dona Cresolina, funcionária de confiança do Dr. Afonso, pediu demissão por causa da insistência dele no assunto. 28 No entanto, o maior hospital do estado de Minas Gerais foi adquirido, mudando seu nome de Hospital Santa Mônica para Hospital Adventista de Belo Horizonte. 29
Após esse episódio, em meio a um cenário de contínuas aquisições, a Golden Cross adquiriu no ano de 1981 um hospital ainda não concluído em Salvador; apenas sua estrutura havia sido construída. 30 As unidades administrativas da IASD que apoiaram a aquisição foram a União Este Brasileira, com sede em Niterói (atual Associação Sudeste Brasileira), e a Missão Bahia, com sede em Salvador (atual Associação Bahia). Além disso, a Golden Cross colaborou como uma das primeiras fontes de subsídio da instituição na aquisição e reforma do prédio. 31 A reforma ocorreu entre 1982 e 1984 e foi concluída em 1º de junho. O fato de o prédio estar localizado em uma capital brasileira, na zona nobre da cidade, influenciou sua compra, pois, geralmente, a capital era o local para onde a população rural se deslocava a fim de receber tratamento de saúde.
Entre as pessoas que trabalharam para a aquisição do Hospital Adventista de Salvador estavam: Zildomar Deucher, Floriano Xavier dos Santos, Wilson Silva, José Orlando Correia, Germano Boell, Gustavo Pires da Silva, Luís Henrique Perestrelo, Zinaldo Azevedo, Antônio Ribeiro, Dr. Milton Afonso e outros.
Antes mesmo de terminadas as obras de reforma do estabelecimento, “em junho de 1983, o Dr. Paulo Azevedo assumiu a gestão do HASa, tendo o irmão Naor Toledo Pinto como seu administrador”. Ainda em 1983, mais especificamente em 9 de dezembro, um conselho diretivo se reuniu e decidiu que, a partir de 1º de janeiro de 1984, a instituição seria renomeada como Hospital Adventista de Salvador. No dia 10 de janeiro de 1984, a primeira cirurgia realizada no HASa foi realizada pelo médico Corinto Amorin. 32
No início das atividades, enquanto as obras ainda não estavam concluídas, havia no hospital apenas seis consultórios e um pequeno laboratório, e contava com a presença de oito médicos. Posteriormente, a instituição inaugurou a sala de emergência e mais um laboratório. Além disso, o hospital adquiriu dois novos aparelhos de radiologia, o que fez crescer a demanda. Para atender a essa nova demanda, o HASa contratou mais quatro médicos adventistas, integrando-os à equipe da instituição. 33
Em março de 1984, o hospital já atendia 15 especialidades médicas e contava com 20 médicos especialistas. O estabelecimento também contava com consultórios convencionais e consultório odontológico. Além disso, o HASa já oferecia serviços de fisioterapia. Todo esse crescimento antecedeu a tão esperada data de inauguração, 34 que foi celebrada em 29 de junho, após o término total da construção.
A inauguração foi finalmente celebrada em um culto realizado no estacionamento interno do hospital. Na ocasião, o palestrante do evento foi o Pastor Floriano Xavier dos Santos, líder da Igreja Adventista do Sétimo Dia nas regiões sudeste, leste e nordeste do Brasil. Além do palestrante, autoridades eclesiásticas como Neal Wilson, líder mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, estiveram presentes; o Pr. João Wolf, líder da igreja em oito países da América do Sul; Germano Boell, Gustavo Pires, Luís Henrique Perestrelo, Aliomar Moura, e Araújo e Demóstenes Neves. Também estiveram presentes: o Dr. Zildomar Deucher, diretor do GHAB e diretor do Hospital Adventista Silvestre; o Dr. Paulo César de Azevedo, diretor do HASa; e o Dr. Milton Afonso, diretor executivo da Golden Cross. Durante o evento, Neal Wilson falou sobre a iniciativa na prevenção e cura de doenças, que era o foco da instituição. 35
Além de todas as autoridades mencionadas, a cerimônia contou com a presença de um missionário presbiteriano que fez uma generosa doação. Ele era um fornecedor de Bíblias para a Sociedade Bíblica Brasileira (SBB) e “doou imediatamente 5.000 folhetos com porções da Bíblia para o hospital”. O trabalho missionário realizado no hospital ao longo dos anos demonstrou que a generosa doação foi muito útil. 36
Algumas autoridades políticas também foram convidadas. Entre elas merecem destaque a presença do Dr. Nilson Barros, secretário de saúde do estado da Bahia; Dr. Manoel Castro, prefeito de Salvador; Edmilson Braga, superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro; além de dois arquitetos e membros do GHAB, Waldemar e Silvia Wenzel. 37 A presença dos mais diversos convidados foi importante, pois mostrou que o hospital existia para apoiar e servir todas as pessoas, sem exceção, da forma mais dedicada possível.
Como complemento à festa de abertura, os convidados foram levados a uma visita guiada pelo hospital com alguns dos presentes. Nesse passeio, os convidados conheceram os equipamentos e visitaram as instalações, que tinham capacidade para 120 leitos. Além disso, foi oferecido um coquetel para as cerca de 300 pessoas presentes no evento. 38
Após a inauguração, o bom atendimento prestado pela instituição, aliado ao nome vinculado à rede adventista de hospitais, possibilitou a credibilidade do hospital junto aos usuários. Logo após seu primeiro ano de funcionamento veio o reconhecimento pelos bons serviços prestados pela instituição. A Empresa Brasileira de Pesquisa em Atividades Sociais (Embrapas) conduziu uma pesquisa de opinião pública em 1985, na cidade de Salvador. O resultado colocava o hospital adventista em primeiro lugar "como o melhor do ano no campo dos hospitais, na preferência do público e simpatia". Devido ao destaque recebido com relação aos serviços prestados, o hospital participou de cerimônia realizada em 30 de agosto de 1985, na qual “recebeu o Diploma de Consagração Pública”.39
História da Instituição
O primeiro ano de funcionamento do hospital foi muito bem-sucedido e seu crescimento pôde ser verificado nos relatórios oficiais. Em 1984, ao relatar a situação em que se encontrava a instituição, o diretor médico, Paulo C. Azevedo, disse que a marca de 40 pacientes por dia já havia sido atingida. Além disso, o número médio de pacientes internados cresceu de 21 para 28 entre julho e agosto daquele ano. O centro cirúrgico realizava de 5 a 10 cirurgias por dia e já atendia seis pacientes simultaneamente em sua Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ao todo, já havia registros de quase duas mil consultas médicas mensais, sem contar que “a demanda pelo o consultório odontológico era crescente”. Entre os pacientes, havia pessoas de vários planos de saúde, mas a maioria era da Golden Cross. Por outro lado, havia uma média de “15 a 20 por cento” de pacientes sem plano de saúde.40
Mas o sucesso da instituição não ficou restrito aos serviços médicos prestados. Desde o início, o HASa registra os frutos do seu trabalho missionário. Um desses resultados pôde ser percebido quando a paciente Rosa de Fátima Dantas Coelho veio ao hospital para marcar uma consulta. Algum tempo antes, ela havia recebido estudos bíblicos de membros adventistas em uma cidade perto de Salvador. Mas, ao chegar ao hospital, ela não imaginou que fosse uma instituição adventista. 41
Apesar de ter procurado o hospital apenas para uma consulta, Rosa de Fátima precisou ser internada. Durante o tempo em que passou no hospital, a paciente aceitou a Cristo como seu Salvador pessoal e foi aceita por profissão de fé em 18 de maio de 1984, em uma sexta-feira. No dia seguinte, teve o privilégio de guardar seu primeiro e último sábado, já que, devido ao seu problema de saúde, Rosa de Fátima faleceu poucos dias depois. 42 No entanto, foi no hospital que ela teve sua última chance de se entregar sem reservas a Cristo.
Ainda em 1984, quatro médicos do HASa foram ao distrito do Rio Vermelho para dirigir uma série de conferências. “O grupo do Rio Vermelho começou com uma paciente do Hospital Adventista de Salvador que fazia tratamento fisioterapêutico com a irmã Sofia Rodrigues, técnica em fisioterapia do hospital”. Foi essa paciente que, ao voltar para casa, ofereceu o seu lar para servir de local para as reuniões do grupo de adventistas da região. Incentivados pela Missão Bahia, os profissionais de saúde promoveram reuniões que chamaram de “Encontros de Saúde”. Essas reuniões eram realizadas quinzenalmente, aos sábados. 43Além desse projeto, médicos, enfermeiras e outros profissionais do hospital iniciaram o trabalho evangelístico no bairro Boca do Rio. Hoje, há duas igrejas que começaram por iniciativa dos funcionários do hospital - as igrejas da Barra e Ondina, ambas na cidade de Salvador.
Dentre as diversas iniciativas evangelísticas do hospital, a primeira semana de oração da instituição aconteceu de 1º a 8 de junho de 1985. Essa semana foi conduzida pelo capelão da HASa em período parcial, o dermatologista Dr. Carlos Gama Michel, que levou algumas pessoas a aceitar a Cristo. No final dos sete dias de comunhão, 20 pessoas aceitaram o apelo e foram batizadas. 44
Com o passar dos anos, ficou claro que o serviço de apoio espiritual era indispensável para o bom andamento evangelístico do hospital. A área da capelania sempre foi composta por boas equipes, das quais vale destacar a composta pelos capelães João Antônio, Aurineide Tavares, Demostenes Neves e Aliomar Moura e Araújo. E, para auxiliá-los, havia colaboradores voluntários – os irmãos Raimundo Santana e Yorgy Nicola Spiro Khoury - que prestaram esse serviço com grande empenho.
No final de 1984, o Dr. Paul César, diretor geral do hospital, fez um relatório sobre as áreas médica e missionária. Ele disse que o número de internações diárias havia ultrapassado a marca de 30 pacientes e que o hospital passou a fornecer serviços de gasometria arterial (ABG) e eletroencefalografia (EEG). Com relação à área missionária, o hospital contava com mais de quarenta pessoas estudando a Bíblia. 45
Dentre os que contribuíram para o bom desempenho médico durante os aproximadamente sete anos de funcionamento do HASa, vale mencionar os médicos Wilson Silva, Carlos Gama Michel, Elpídio Nunes, Otoniel Meira, Valéria Meira e Isaías Almeida, nomeado vice-diretor do hospital em 1985. Além deles, pessoas de outros setores contribuíram para a obra médica na Bahia, tais como os funcionários Jurandir Januário Reis e Francisco Silva, do setor financeiro; e as secretárias Luzia Vilas Boas, Mara Núbia, Dalete Duarte, Elda Barbosa e Maria Lucia Marques. Ao todo, havia 150 funcionários adventistas no hospital, dos quais 16 eram médicos e dois eram dentistas. Havia também seis enfermeiras e 50 técnicos, auxiliares e atendentes. 46
Em 1985, o hospital registrou um grande avanço. Conseguiu colocar em funcionamento a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), que, na época, era um serviço pioneiro na Bahia. O Dr. Clódis Vitor dos Santos esteve na coordenação desse setor. 47 O crescimento vivido pelo HASa permitiu-lhe desempenhar um importante papel histórico no contexto em que estava inserido.
Papel Histórico da Instituição
A missão do HASa era preencher a lacuna existente na obra médico-missionário da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Salvador, devido à falta de uma unidade de saúde imponente. Para os líderes da igreja, o esforço sistemático da obra médico-missionária no estado da Bahia foi muito importante, pois essa obra é considerada por Ellen White o braço direito da mensagem do terceiro anjo. 48 Assim, o objetivo da instituição foi mantido durante o período de funcionamento, sob a tutela do GHAB e posteriormente da igreja. Resultados de bons serviços e excelência na recuperação de pacientes confirmam a crescente credibilidade do hospital.
Frequentemente, o hospital realizava projetos de apoio às atividades missionárias da Associação Bahia. Em 1988, o hospital organizou uma passeata no centro de Salvador. A mobilização contou com a presença de milhares de pessoas, que utilizaram 700 pôsteres, 120 banners, carros temáticos e outros materiais visuais. Nesse movimento, os participantes distribuíram 25 mil folhetos - o suficiente para abrir duas edições do curso “Como Parar de Fumar”, além de cursos de nutrição, ministrados por médicos do hospital e voluntários da igreja. 49
Panorama
Quanto ao contexto inicial da instituição, o momento era promissor para a implantação de várias unidades de saúde, entre elas o Hospital Adventista de Salvador. Reconhecendo que o cenário era favorável, a Igreja Adventista no Brasil estabeleceu o Grupo Hospitalar Adventista Brasileiro (GHAB) com o objetivo de liderar as instituições hospitalares da denominação estabelecidas em território nacional. Com tal apoio, a repercussão a respeito do HASa foi tão boa e positiva que a Missão Bahia registrou em ata que os serviços do hospital estavam dignificando o nome da igreja na capital baiana. 50
No entanto, as mudanças políticas e econômicas ocorridas no Brasil no final da década de 1980 afetaram profundamente a viabilidade financeira de muitas das instituições de saúde em funcionamento no país. Tais efeitos também foram sentidos em relação à capacidade de sustento próprio do HASa. Após estudos sobre a viabilidade financeira da instituição, a decisão foi encerrar suas atividades e devolver sua estrutura à Golden Cross, o que ocorreu em 1990. No entanto, ao longo dos sete anos de funcionamento do HASa, essa unidade hospitalar beneficiou todo o estado da Bahia, deixando um legado missionário na história da obra adventista naquela região.
Lista de Nomes
Hospital Adventista de Salvador (1984-1990).
Lista de Líderes
Diretores Clínicos: Paulo César de Azevedo (1984-1990).
Diretores Administrativos: Naor Toledo Pinto (1984-1990).
Referências
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Atas da Missão Bahia-Sergipe, nº 171, 25 de maio, 1976, voto nº 76/109.
Atas da Missão Bahia-Sergipe, nº 171, 25 de maio, 1976, vote no. 76/110.
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Notas de Fim
- Arnaldo B. Cristiani, “A Luz Vem do Oriente,” Revista Adventista, setembro de 1969, 13.↩
- Heron Santana, “Semeando na Boa Terra,” Revista Adventista, dezembro de 2015, 27.↩
- John Lipke, “Abertura de um Novo Campo Missionário,” Revista Mensal 6, fevereiro de 1911, 2.↩
- Manoel Kümpel, “Bahia”, Revista Mensal, julho de 1913, 8.↩
- M.M. Rohde, “O Estado da Bahia,” Revista Adventista, junho de 1914, 6.↩
- Zacharias M. Rodrigues, “Nazareth, Bahia,” Revista Mensal 8, janeiro de 1913, 5.↩
- Julio Miñan, “Já morreu! ...,” Revista Mensal 21, junho de 1926, 10.↩
- Ulrich Wissner, “Curso de Colportagem na Bahia,” Revista Adventista 33, maio de 1938, 8.↩
- Hospital Adventista de São Paulo, “História,” acessado em 29 de abril, 2019, http://www.hasp.org.br/institucional.php.↩
- Rede adventista Silvestre de Saúde, “Institucional,” acessado em 29 de abril, 2019, http://www.redeadventistasilvestre.com/institucional/.↩
- “As lanchas médico-missionárias são instrumentos para prover serviços aos habitantes ribeirinhos e de locais de difícil acesso. São equipadas para oferecer cuidado médico e odontológico, e contam com a presença de um pastor adventista para prover assistência espiritual às famílias.” Acessado em 18 de outubro, 2018, https://goo.gl/94Ypqk↩
- Natan Silva e Nesias Joaquim dos Santos, Contando Nossa História: 110 anos da Igreja Adventista do Sétimo Dia no estado da Bahia (Salvador, BA: EGBA, 2016), 183-184.↩
- “Bahia-Sergipe Mission [Missão Bahia-Sergipe],” Seventh-day Adventist Yearbook (Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Association, 1969), 208.↩
- Atas da Missão Bahia-Sergipe, nº 378, 5 de julho, 1962, voto nº 62/072.↩
- Atas da Missão Bahia-Sergipe, voto nº 76/282.↩
- Aluísio Sergio de Melo, “Atividades do Departamento Médico da Missão Bahia-Sergipe,” Revista Adventista, março de 1966, 29.↩
- Aluísio Sergio de Melo, “Atividades do Departamento Médico da Missão Bahia-Sergipe,” Revista Adventista, março de 1966, 29.↩
- O Grupo Hospitalar Adventista Brasileiro foi uma unidade administrativa da igreja para o campo da saúde em todo o território brasileiro, subordinado à Divisão Sul-Americana, cujos líderes eram compostos apenas de profissionais de saúde/gerentes hospitalares. Sua principal missão era manter o crescimento e a estabilidade das instituições de saúde existentes e abrir novos hospitais. Acessado em 23 de julho, 2019, https://bit.ly/2EZFOZJ.↩
- Atas da Missão Bahia-Sergipe, nº 171, 25 de maio, 1976, voto nº 76/109.↩
- Atas da Missão Bahia-Sergipe, nº 171, 25 de maio, 1976, voto nº 76/110.↩
- Adamor L. Pimenta, “Manaus ganha uma Clínica Adventista,” Revista Adventista, nº 7 (julho de 1978): 19.↩
- “Notícias da UEB,” Revista Adventista, junho de 1979, 21.↩
- “Quarenta anos pela saúde,” Revista Adventista, janeiro de 1983, 18.↩
- “Mais Um Hospital,” Revista Adventista, maio de 1982, 32; “Nasce Mais um Hospital Adventista,” Revista adventista, março de 1984, 23.↩
- “Mais Um Hospital,” Revista Adventista, maio de 1982, 32;↩
- A Golden Cross é uma empresa de planos de saúde que foi pioneira e líder no ramo da saúde brasileira entre 1973 e 1985. A companhia foi fundada em 1971 pelo Dr. Milton Soldani Alfonso e atualmente serve “aproximadamente 500.000 clientes empresariais.” Acessado em 1º de maio, 2019, https://bit.ly/2GMRTCl.↩
- Manuel Vasquez, Vida e Obra de Milton Afonso (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2004), 120.↩
- Ibid., 121.↩
- “Belo Horizonte: O Maior Hospital é Adventista,” Revista adventista, abril de 1981, 19.↩
- Manuel Vasquez, Vida e Obra de Milton Afonso (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2004), 121.↩
- “Obra Médica Nasce Adulta,” Revista Adventista, agosto de 1984, 24.↩
- “Nasce Mais um Hospital Adventista,” Revista Adventista, março de 1984, 23.↩
- Ibid.↩
- Ibid.↩
- “Obra Médica Nasce Adulta,” Revista Adventista, agosto de 1984, 24.↩
- Ibid.↩
- Ibid., 24, 25.↩
- “Obra Médica Nasce Adulta,” Revista Adventista, agosto de 1984, 24.↩
- Paulo Azevedo, “Hospital Adventista,” Revista Adventista, janeiro de 1986, 18-19.↩
- “Diagnóstico do Hospital,” Revista adventista, dezembro de 1984, 34.↩
- “Obra Médica Nasce Adulta,” Revista Adventista, agosto de 1984, 25.↩
- Ibid.↩
- “Diagnóstico do Hospital,” Revista Adventista, dezembro de 1984, 34.↩
- “Novos Médicos,” Revista Adventista, julho de 1985, 25.↩
- “Hospital Inaugura Centro cirúrgico,” Revista Adventista, janeiro de 1985, 28.↩
- “Novos Médicos,” Revista Adventista, julho de 1985, 25.↩
- Ibid.↩
- Ellen White, Conselhos Sobre o Regime Alimentar (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2002), 73.↩
- “Dia do Não Fumar mobiliza o Brasil,” Revista Adventista, novembro de 1988, 24.↩
- Atas da Missão Bahia-Sergipe, nº 393, 20 de dezembro, 1984, voto nº 84-349; “Quarenta anos pela saúde,” Revista Adventista, janeiro de 1983, 18.↩